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Split Payment na Reforma Tributária: Guia Técnico para Desenvolvedores de ERP e E-commerce

Entenda como funciona o Split Payment no IBS e CBS, o impacto nos meios de pagamento (Pix, Cartão) e como adaptar seu ERP e e-commerce com exemplos práticos.

21 de julho de 20267 min de leituraDevThru

A Reforma Tributária no Brasil trouxe uma das maiores mudanças arquiteturais na história dos sistemas de pagamento e ERPs nacionais: o Split Payment. Diferente do modelo legado, onde a empresa recebia o valor bruto da venda e apurava os impostos (ICMS, ISS, PIS, COFINS) ao final do mês, a nova sistemática realiza a retenção dos impostos estaduais, municipais (IBS) e federais (CBS) no momento exato da liquidação financeira.

Para equipes de engenharia de software, CTOs e desenvolvedores de e-commerce, o Split Payment exige reformular conciliações bancárias, rotinas de webhook e integrações com adquirentes e a SEFAZ. Neste guia técnico, analisamos a arquitetura do Split Payment e como adaptar suas aplicações.

1. O que é o Split Payment e por que ele muda o fluxo do ERP?

No modelo tradicional de liquidação de e-commerce e PDV, uma venda de R$ 1.000,00 paga no Pix entrava quase integralmente na conta bancária do vendedor (descontando apenas a taxa de intermediação do meio de pagamento). No final do mês, a contabilidade gerava as guias de recolhimento dos tributos.

Com o Split Payment (Reforma Tributária - IBS + CBS):

  • A instituição financeira ou adquirente (banco, credenciadora de cartão, gateway Pix) atua como agente retentor.
  • Na liquidação da transação, o imposto estimado (ex: ~17,7% de IBS + ~8,8% de CBS) é retido na fonte e direcionado aos cofres públicos.
  • O valor creditado na conta do vendedor é exclusivamente o valor líquido da operação.

2. Impacto Técnico nas APIs de Pagamento e Webhooks

Para quem desenvolve integrações com plataformas como Stripe, Asaas, PagSeguro, Mercado Pago ou APIs Pix via Banco Central, o payload de liquidação financeira incluirá novos campos de retenção fiscal.

Exemplo de Payload de Webhook simulando liquidação com Split Payment:

{
  "event": "payment.settled_with_split",
  "transaction_id": "tx_split_892341",
  "gross_amount": 1000.00,
  "split_payment_retention": {
    "ibs_retained": 177.00,
    "cbs_retained": 88.00,
    "total_tax_retained": 265.00
  },
  "seller_net_payout": 735.00
}

O ERP não pode mais tentar conciliar o recebimento de R$ 1.000,00 na conta corrente. O lançamento contábil de entrada financeira passa a ser de R$ 735,00, registrando os R$ 265,00 como imposto retido diretamente no banco.

3. Novas Tags no XML da Nota Fiscal (NF-e v5.0)

Para garantir que o banco saiba exatamente quanto reter em cada operação, a SEFAZ e o Comitê Gestor do IBS estruturaram novos grupos no XML da NF-e para identificar as contas e percentuais do Split Payment:

  • <gSplitPayment>: Grupo do XML onde é declarada a modalidade do Split Payment.
  • <vIBS>: Valor do Imposto sobre Bens e Serviços destinado ao Estado/Município.
  • <vCBS>: Valor da Contribuição sobre Bens e Serviços destinada à União.

4. Como Simular e Testar o Split Payment

Durante a fase de desenvolvimento e staging das suas aplicações, é essencial validar se o motor de cálculo do seu ERP e e-commerce está arredondando corretamente os centavos e distribuindo as retenções sem divergências financeiras.

Utilize o nosso Simulador e Calculadora de Split Payment da Reforma Tributária no DevThru para simular valores de venda, calcular repasses líquidos e copiar payloads JSON de teste prontos para uso.

🛠️ Experimente na prática

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